PALAVRAS
Me consumo em horas vagas
Nem mesmo me dou conta da finitude que sou
Transcorrem horas e horas
Nada penso, faço ou vivo
O pensar da consciência é um emaranhado
que me fadiga
Me sinto exausta
O fluido da fumaça leva consigo meus temores
Inconscientemente vivo a contemplação
sem ação
Há ruídos
Mas nem sequer levanto os olhos
permaneço imóvel
Transito de uma dimensão à outra
Desembarco do inconsciente
Olho as horas
Observo a complexidade
da consciência de mãos dadas com o que não digo,
mas penso
Imagino que não sou legível,
Escrevo espasmos desconexos
porque são assim meus pensamentos e memória
Escureço, não compreendo,
Volto o texto e leio.
Escrevo como quem pensa em voz alta
Sou ilógica
Há tantas palavras em mim
Que me obrigo a expulsa-las
Sem qualquer ordem ou intenção,
Desencadeiam-se em correntes e elos
Entrelaçadas e infindas...
Ana Suelen Pisetta
terça-feira, 8 de julho de 2008
quinta-feira, 26 de junho de 2008
sexta-feira, 16 de maio de 2008
segunda-feira, 12 de maio de 2008
quinta-feira, 17 de abril de 2008
INVERNO
O frio dói
Atrofia os músculos que se encolhem
Buscando proteção
As mãos trêmulas e gélidas
Ganham coloração roxa
Os pés úmidos e duros
Não ousam andar descalços
O banho, ai o banho
Procrastinado até o limite
Ao despir a roupa
A pele se espinha num arrepio intenso,
Porém, a abençoada água quente
dá conforto à alma e ao corpo
Este se recusa a sair de lá
puxa a toalha e se seca com cuidado
enquanto as pernas permanecem
embaixo d’água
O pijama já à espera
é vestido num piscar
e a cabeça só pensa na cama e no cobertor
que o ajudará a esquentar
a noite passa despercebida
o dia chega com o frio
o corpo chora ter que sair do ninho
levanta bem devagarzinho
e não experimenta se despir
põe a roupa sobre o pijama e está pronto pra sair
Ana Suelen Pisetta
O frio dói
Atrofia os músculos que se encolhem
Buscando proteção
As mãos trêmulas e gélidas
Ganham coloração roxa
Os pés úmidos e duros
Não ousam andar descalços
O banho, ai o banho
Procrastinado até o limite
Ao despir a roupa
A pele se espinha num arrepio intenso,
Porém, a abençoada água quente
dá conforto à alma e ao corpo
Este se recusa a sair de lá
puxa a toalha e se seca com cuidado
enquanto as pernas permanecem
embaixo d’água
O pijama já à espera
é vestido num piscar
e a cabeça só pensa na cama e no cobertor
que o ajudará a esquentar
a noite passa despercebida
o dia chega com o frio
o corpo chora ter que sair do ninho
levanta bem devagarzinho
e não experimenta se despir
põe a roupa sobre o pijama e está pronto pra sair
Ana Suelen Pisetta
quarta-feira, 2 de abril de 2008
Ontem
Tem vezes que remonto o meu passado
Embaralhado, rasurado
Fecho os olhos e sonho o que já vivi
E a vida até então vivida
Foi tão rápida, repentina
Em frente vejo longo tempo
Que após vividos serão momentos,
Embaralhados, rasurados
Como uma caixa de papéis guardados
Revejo meu passado
Me surpreendo com lembranças
Tão antigas e tão presentes
Lembro do meu rosto de criança,
Hoje ausente
Rio do meu jeito inocente
Das minhas razões incoerentes
Das verdades que já não são verídicas
Das paisagens um dia vistas
Das pessoas que me foram íntimas
Dos segredos que jamais guardei
Essas lembranças, tantas
São apenas ontem
Ana Suelen Pisetta
Tem vezes que remonto o meu passado
Embaralhado, rasurado
Fecho os olhos e sonho o que já vivi
E a vida até então vivida
Foi tão rápida, repentina
Em frente vejo longo tempo
Que após vividos serão momentos,
Embaralhados, rasurados
Como uma caixa de papéis guardados
Revejo meu passado
Me surpreendo com lembranças
Tão antigas e tão presentes
Lembro do meu rosto de criança,
Hoje ausente
Rio do meu jeito inocente
Das minhas razões incoerentes
Das verdades que já não são verídicas
Das paisagens um dia vistas
Das pessoas que me foram íntimas
Dos segredos que jamais guardei
Essas lembranças, tantas
São apenas ontem
Ana Suelen Pisetta
terça-feira, 25 de março de 2008
INVERTIDO
Em frente ao espelho:
Quem é você?
E estes olhos pintados? Pra quê?
Reflexão e desconsolo
Por que cresceu?
Por que perdeu seus dentes de leite?
Não era contente?
Por que desejou tanto ser grande?
Pra quê?
Onde pensa que vai?
O que vai fazer agora que é?
Silêncio, olhos nos olhos refletidos
A vida nos fez crescer sem querer
Eu até desculpo você
Mas só se me prometer
que nunca vai me esquecer
sou a criança que sobreviveu em você
e que ainda quer viver
Sorriso e descanso...
Ana Suelen Pisetta
Assinar:
Postagens (Atom)